Minha casa, minha vida

Eu me sinto um pouco sem ar na Flip (brocha?). É tanta coisa acontecendo simultaneamente que acabo me perdendo no meu próprio quarteirão (acho que as ruelas daqui conspiram e te transportam para algum outro mundo possível). São tantas pessoas, tantos eventos, tantas performances, personagens, egos e atores (“Arre, estou farto de semideuses”). A gente fica querendo conhecer tudo. Escutar e participar das lamentações e orações literárias, descobrir autores, canções, artistas. Saber falar de todos assuntos, de todas fofocas e talvez de toda literatura. E ainda se equilibrando por entre as tortuosas pedras munido daqueles malditos livretos das programações das casas. Como dizia o Tom Jobim sobre morar em Nova Iorque, e que cabe direitinho aqui: “é bom, mas é uma merda”.

Ilustração de João Paulo Rocco.

Ilustração de João Paulo Rocco.

Mas eis que encontro um oásis no meio de toda essa confusão. Um descanso de toda essa loucura. Um lugar para ficar curtindo as deliciosas horinhas de descuido que Riobaldo uma vez conclamou. A Casa Rocco é uma delícia! (E lá eu sou amigo do rei! Sonho também que tenho a mulher que quero, na cama que escolherei!) Um lugar arejado, calmo, colorido e cheio de sorrisos, de afagos e de cerveja (eu nem gosto tanto assim de cerveja, mas o primeiro gole caiu muito bem!). As pessoas podem circular tranquilamente, bater papo com a equipe, conhecer alguns autores e ainda comprar uns livrinhos da Editora. Uma grande alegria!  E lá também todos podem pegar um livreto com o primeiro capítulo do meu famigerado livro Brochadas. A nova e audaciosa Ilíada da impotência. Ai meu Deus! (Falando em Deus, hoje, dia 3 de julho às 15:00h, converso sobre literatura infantil, e a fé que não tenho, ao lado do Frei Betto. Todos estão convidados).

Confesso que estou um pouco em pânico e novamente sem ar. Acho que agora, finalmente, me dei conta que as minhas brochadas de fato existiram e se tornaram públicas! Todos estão convidados a compartilhá-las! Na minha casa (Rocco), minha vida (Brochadas) está totalmente escancarada. O livreto está lá, todo pintado obviamente de azul e pode ser levado para casa sem contraindicações. Apenas uma prévia do que virá em agosto.

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Há, no entanto, um incrível segredo na tinta: com uma brocha, untamos de citrato de sildenafil (Viagra) a capa.  Assim, caso seu amigo ou amiga passe por algum imprevisto (merdas acontecem), bastar rasgar um pedacinho do livreto e colocá-lo sobre a língua (estilo LSD) enquanto recita em voz alta partes do livro (condição necessária). Pronto! Nunca mais terá os terríveis problemas narrados por mim! Amém!

Bom, é isso: apareçam na Casa, ouçam as mesas, conversem calmamente com as pessoas longe do agito oficial da Festa… e se preparem para as grandes Brochadas!

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