Eventos

Eventos de lançamento de Brochadas

Quatro cidades terão eventos de lançamento de Brochadas, a partir de 19 de agosto.

O primeiro evento será no Rio de Janeiro, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, com um bate-papo com a escritora Mary Del Priore:

Confirme sua presença, marque seus amigos e até lá: https://www.facebook.com/events/862982637089449/

No dia seguinte, estarei em São Paulo para um bate-papo com Márcia Tiburi e sessão de autógrafos na Livraria da Vila – Fradique:

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Confirme sua presença, marque seus amigos e até lá: https://www.facebook.com/events/972153636170355/

No dia 26 de agosto, às 19h, encontro os amigos, familiares e leitores de Belo Horizonte na Livraria Leitura do Pátio Savassi — e também haverá bate-papo com a Profª. Eneida Maria de Souza, da UFMG:

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Confirme sua presença, marque seus amigos e até lá: https://www.facebook.com/events/923689434337173/

Por último (por enquanto), encontrarei Diana Corso e Lina Wainberg para um bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria Cultura – Bourbon, em Porto Alegre:

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Confirme sua presença, marque seus amigos e até lá: https://www.facebook.com/events/1635765939971150/

Uma última vereda

Fonte: Editora Rocco

Fonte: Editora Rocco

Mas quando mais nada subsiste de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas – sozinhos, mais frágeis, porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis – o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação.
Marcel Proust
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira
Este é meu último texto sobre a Flip. Já um pouco atrasado. Será que as minhas impressões sobre esse passado, ainda muito recente, estão se adulterando? Será que a construção da minha memória, da minha narração, da minha busca por uma fração desse tempo perdido é minimamente confiável? Verdadeira? Possível? E se eu me obrigar a escrever essas sensações, que ainda estão vívidas, mas um tanto falseadas, daqui a dez anos, o que permanecerá? O que será esquecido? O que ficará recalcado e subterrâneo? Não sei. Só sei que escrevo, mesmo sabendo que as reminiscências percorrerão uma nova e imponderável vereda.
Fonte: Editora Rocco

Fonte: Editora Rocco

Eu não parava de imaginar como seria o tão esperado papo sobre as Brochadas. Eu idealizava, sonhava, flanava pelas ruas de Paraty. O livreto com a “tentativa de esgotamento dos motivos das brochadas masculinas e femininas” já estava sendo distribuído e todos podiam conhecer um pouco mais do meu trabalho. E da minha loucura. Ao chegar na Casa Rocco já conseguia ver muitas pessoas ‘saboreando’ essas divagações brochantes. Estava tenso; não há, felizmente, controle algum sobre qualquer obra de arte…  mas, ao reparar sorrisos, gargalhadas e brincadeiras, fiquei um pouco mais tranquilo. Com mais vontade de entrar de cabeça nesse fantasioso mundo literário, transformando-me, portanto, num personagem sem vergonha, sem recalques… sem nenhuma gota de timidez. Assim começou o esperado debate.

E foi aí que descobri como o tema é relevante para todos! As pessoas se esbaldaram. Todo mundo queria fazer de si um personagem do Brochadas. Contar casos, fazer piadas, falar, falar muito mais do que devia. Todos poderiam finalmente entender essa questão tão tocante a todos nós, seres incompletos, impotentes e contingentes. Aquele era o ambiente perfeito para encontrar confidentes em textos literários, sagrados, canônicos. As pessoas se surpreenderam ao saber que Santo Agostinho, Platão, Montaigne já falavam sobre brochadas. Que a poesia de Pessoa, de Drummond, de Bernardo Guimarães já se encantava com o tema. E que a brochada era um assunto simples, belo e cotidiano, assim como a pornografia, o erotismo e imaginação dos textos picantes de Sade, Bataille e Safo lidos pela querida Professora Eliane Moraes. Eu acabei ficando um pouco calado: a obra, que ainda nem foi publicada, já era do leitor, do público, do outro. Estrangeiro de mim, o livro já transformava e se perdia do meu eu, da minha dor, das minhas invenções.

Assim eu me recordo ardilosamente, neste agora, daquele já passado sábado à noite. Assim eu me lembro daquela chuva. Daquela ansiedade. Daquela grande felicidade em atuar e viver de literatura.

(In)certezas lúdicas

De que é feito um texto? Fragmentos originais, montagens singulares, referências, acidentes, reminiscências, empréstimos voluntários. De que é feita uma pessoa? Migalhas de identificações, imagens incorporadas traços de caráter assimilados, tudo (se é que se pode dizer assim) formando uma ficção que se chama o eu.

Michel Schneider

Foto: Editora Rocco

Foto: Editora Rocco

Ontem foi a minha primeira mesa aqui na Flip – Casa Rocco. Frei Betto e eu conversamos sobre literatura infantil e falamos sobre algumas questões delicadas para todos nós. Morte, vida, fé, amor, literatura. Questões, acredito, que não têm e nunca terão nenhuma resposta. E, por isso, e somente por isso, são tão belas, profundas, sensíveis e misteriosas… O espaço da literatura, imagino, é o espaço da dúvida, do estranhamento e do estrangeiro. O falacioso lugar a arte habita. Completamente inútil, apesar de concebida para preencher de alma um corpo (e uma vida) vazio. Essa, talvez, seja a minha única crença… e minha única incerteza. Porém, supreendentemente, foram as muitas certezas que permearam a discussão.

A casa estava lotada! (Certamente, se eu falasse alguma besteira, como não deixo nunca de fazer, muitas das pessoas ali presentes poderiam rapidamente pisar no meu dedão do pé… ou até fazer algo pior… vai saber!) Encantei-me com a proximidade das pessoas. Encantei-me com a vontade e a felicidade delas por estarem ali presentes (não sei se elas desconfiaram, mas a felicidade maior era nossa… há sempre muita vaidade naqueles que falam…) Seus olhos, cheios de carinho e empatia, buscavam interagir e se integrar à festa… e se aproximar dos autores. Mas, conjecturo, elas também almejavam algumas respostas… respostas que eu não daria…

A verdade é que eu gostaria de ter alguma certeza. E alguma fé. E seguir algum caminho preestabelecido. Viver uma outra espécie de loucura. E de revelação. Porém, acho que me encontro eternamente na Tabacaria, acompanhado de Pessoa e do Esteves sem metafísica, cantarolando os seguintes versos: “Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?”

Mas tudo isso é uma grande mentira! Ontem, confesso, não tinha nenhuma certeza… somente dúvidas, indagações e dilemas. E a literatura me auxiliando. Eu definitivamente não estava na minha zona de conforto. Mas hoje, sim, sou uma outra pessoa. Completamente metamorfoseado. Cheio de convicções e inúmeras respostas. Hoje posso responder todas as conjecturas imaginadas. Hoje tenho conhecimento empírico, literário, metafísico, religioso e científico no assunto! Falo, canto e recito a fantástica Ilíada das Brochadas (19h, na Casa Rocco)! “Vinde a mim, todos os que estão cansados, sobrecarregados e impotentes; eu vos aliviarei!” Amém!

Minha casa, minha vida

Eu me sinto um pouco sem ar na Flip (brocha?). É tanta coisa acontecendo simultaneamente que acabo me perdendo no meu próprio quarteirão (acho que as ruelas daqui conspiram e te transportam para algum outro mundo possível). São tantas pessoas, tantos eventos, tantas performances, personagens, egos e atores (“Arre, estou farto de semideuses”). A gente fica querendo conhecer tudo. Escutar e participar das lamentações e orações literárias, descobrir autores, canções, artistas. Saber falar de todos assuntos, de todas fofocas e talvez de toda literatura. E ainda se equilibrando por entre as tortuosas pedras munido daqueles malditos livretos das programações das casas. Como dizia o Tom Jobim sobre morar em Nova Iorque, e que cabe direitinho aqui: “é bom, mas é uma merda”.

Ilustração de João Paulo Rocco.

Ilustração de João Paulo Rocco.

Mas eis que encontro um oásis no meio de toda essa confusão. Um descanso de toda essa loucura. Um lugar para ficar curtindo as deliciosas horinhas de descuido que Riobaldo uma vez conclamou. A Casa Rocco é uma delícia! (E lá eu sou amigo do rei! Sonho também que tenho a mulher que quero, na cama que escolherei!) Um lugar arejado, calmo, colorido e cheio de sorrisos, de afagos e de cerveja (eu nem gosto tanto assim de cerveja, mas o primeiro gole caiu muito bem!). As pessoas podem circular tranquilamente, bater papo com a equipe, conhecer alguns autores e ainda comprar uns livrinhos da Editora. Uma grande alegria!  E lá também todos podem pegar um livreto com o primeiro capítulo do meu famigerado livro Brochadas. A nova e audaciosa Ilíada da impotência. Ai meu Deus! (Falando em Deus, hoje, dia 3 de julho às 15:00h, converso sobre literatura infantil, e a fé que não tenho, ao lado do Frei Betto. Todos estão convidados).

Confesso que estou um pouco em pânico e novamente sem ar. Acho que agora, finalmente, me dei conta que as minhas brochadas de fato existiram e se tornaram públicas! Todos estão convidados a compartilhá-las! Na minha casa (Rocco), minha vida (Brochadas) está totalmente escancarada. O livreto está lá, todo pintado obviamente de azul e pode ser levado para casa sem contraindicações. Apenas uma prévia do que virá em agosto.

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Há, no entanto, um incrível segredo na tinta: com uma brocha, untamos de citrato de sildenafil (Viagra) a capa.  Assim, caso seu amigo ou amiga passe por algum imprevisto (merdas acontecem), bastar rasgar um pedacinho do livreto e colocá-lo sobre a língua (estilo LSD) enquanto recita em voz alta partes do livro (condição necessária). Pronto! Nunca mais terá os terríveis problemas narrados por mim! Amém!

Bom, é isso: apareçam na Casa, ouçam as mesas, conversem calmamente com as pessoas longe do agito oficial da Festa… e se preparem para as grandes Brochadas!

O mundo mágico da Flip?

Escrevo da Flip. Escrevo o encantado mundo da Flip. Escrevo o mundo fantasioso, fantasiado e talvez inconcebível das festas literárias. Onde as obras dão lugar aos autores. Onde a morte do autor, já conclamada e cultuada décadas atrás por Barthes, deixa de fazer certo sentido. Ou passa a ser encarada de uma outra forma ainda mais literária. Enfeitiçada, roubada e falseada pelo olhar do poeta (como já diria ou inventava Rilke).

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Caminhando pelas ruas tortuosas e cheias de pedras (que fatalmente fez ou fará alguém torcer o pé ou o joelho e, com uma dor insuportável, mandar todo esse mundo artístico para aquele lugar) encontro vários autores. Verdadeiros autores ou apenas personagens da Festa e de si mesmos? Não sei. Desconfio. Peço indicações do melhor caminho a tomar, a partir dali, a Joca Reiners Terron, que passeava alegremente ao lado do rio com sua inconfundível barba. Ele me aponta, meio enigmático, algumas ruas. Não entendo muito bem suas indicações e continuo caminhando sem destino. O fato é que eu tinha que chegar a algum lugar, por isso prossegui. Um tempinho depois esbarro com um João Carrascoza apressado, ansioso e visivelmente atrasado, indo assistir alguma palestra, ou fugindo desesperadamente de alguém. Nem consigo perguntar direito o que ele está achando de tudo isso aqui. Ele some no meio da multidão, mas sei que nos encontraremos novamente. Por isso não ligo. Esse nonsense faz parte dos contos de fada. Vejo também o Marcelino Freire tomando um chá (especial) na Praça da Matriz. Não me sento com ele. Não tive a ousadia de me convidar e tampouco fui convidado. Por certo não havia lugar na mesa para mim. A verdade, acho, é que ele nem me notou. Eu sou estrangeiro nesse país daqui. Será que estou imaginando ou estou vivendo de fato tudo isso? Não sei. Mas, imerso nesse mundo de faz-de-conta, não posso deixar de sonhar Joca, Carrascoza e Marcelino como personagens de um possível País das Maravilhas de Paraty! Sorrio e continuo caminhando (com muito cuidado para não torcer meu pé!).

Surpreendentemente encontro Beatriz Sarlo. Bom, encontrar é uma palavra forte demais para o caso em questão. Até gostaria que nesse suposto ‘encontro’ ela tivesse se jogado em meus braços e apertado na bunda. Assim eu teria muito mais literatura e invenções para escrever! A verdade é que apenas a escutei falando no telão da Praça e bem mais tarde a vi jantando com as amigas num restaurante chique. Nada de intimidades entre nós, pelo menos por enquanto. (Ela ainda não me descobriu!).

Ah, a Beatriz Sarlo sempre foi uma figura mítica para mim! Fábula, fabulosa, fabulista (uma versão ainda mais encantada do que escreveu Drummond sobre Guimarães Rosa). Porém, acho que aqui minto e caio no erro comum dessas festas literárias. A verdade é que os livros da Beatriz Sarlo sempre foram cultuados e idealizados por mim. Nossa! Como eu li, reli, rabisquei, rasurei e chorei de raiva e emoção desbravando seus estudos crítico-literários. Como eu me apaixonei ainda mais por Borges por conta de suas profundas palavras! Como eu me vi, e me vejo, completamente en las orillas de tudo, de toda literatura, de todos os sentimentos e invenções após conhecer seu poderoso e revolucionário trabalho! … E como encarar, a partir de agora, a figura personificada, reles e humana, dessa outra Beatriz Sarlo? Lembro-me quase instantaneamente de Ray Bradbury e de seu Fahrenheit 451. A Beatriz Sarlo que caminha e sorri por aí não passa de uma cópia pífia e ordinária dos maravilhosos livros e invenções da ‘Beatriz Sarlo’ que tenho criado dentro de mim. Ela é, e sempre será para mim (mesmo que amanhã, em alguma esquina de Paraty, ela resolva me dar uns amassos) uma fantástica autora-livro sonhada como os personagens idealizados de Bradbury. Recrio aqui (um pouco decepcionado) uma outra Sarlo completamente metamorfoseada.

Antes de dormir reflito sobre minhas catarses e sobre a magia da Flip. Iludido e enamorado, convenço-me de que tudo isso aqui é mágico e louco, apesar do desencanto e do desencontro entre livro e autor. Resolvo descansar dessa vigília onírica que já foi demais para mim. Aguardo ansioso pelo dia seguinte e por novas e fantásticas aventuras. Sonho com o Bairro de Gonçalo Tavares (e também com uma jovem Sarlo).

Bate-papo na Flip

Ilustração de João Paulo Rocco. Fonte: Editora Rocco.

As centenárias e sinuosas ruas do Centro Histórico de Paraty já estão prontas para receber os milhares de leitores e escritores ávidos por literatura: começa amanhã a 12ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty.

Geralmente participo da Flip como espectador, porém, este ano, estarei na cidade — um pouco mais entusiasmado, confesso — como escritor. Aproveitarei para falar sobre “Brochadas”, meu próximo romance, que será lançado em agosto!

Nos dias 3 e 4 de julho, às 15h e às 19h, respectivamente, participo de dois bate-papos, na Casa Rocco, sobre universos completamente distintos, mas com os quais estou muito envolvido: literatura infantil e ficção adulta.

3 de julho (sexta-feira) – https://goo.gl/07yTq6
15h – Isso é coisa de criança? Religião, filosofia e morte: Frei Betto e Jacques Fux. Mediação de Elisa Menezes.

4 de julho (sábado) – https://goo.gl/CRhnR9
19h – Brochadas: confissões sexuais e invenções literárias: Jacques Fux e Eliane Robert Moraes. Mediação de Pedro Vasquez.