Pesquisa

Kit antibrochante: dicas dos sábios do passado

Em 2014, quando morava em Boston, vivi alguns momentos brochas, digamos assim. Entenda a brochada como quiser. Eu, confesso, sofri e brinquei bastante com o tema. Foram milhares de horas pesquisando e, para tentar me libertar e exorcizar meus monstros, resolvi escrever um livro inteiro sobre a questão!

O começo foi difícil. Falhei muitas vezes. Falhei miseravelmente entre idas e vindas, tentativas e mais tentativas. Nada de livro… nem de sexo! Mas, por ironia, falhando, e falhando cada vez melhor, acabei encontrando meu caminho. E qual não foi meu deleite, meu gozo, minha ereção, ao me ver ali, numa biblioteca lotada de gatinhas e de raros documentos que atestavam as brochadas dos maiores pensadores e escritores de todos os tempos! Indescritível! Once I was lost, but now I am found!

Entre as muitas histórias peneiradas, encontrei ‘causos’ de gente como Rousseau que, em Confissões, afirmou: “E repente, ao invés de chamas devorando meu corpo, senti um frio mortal percorrendo minhas veias; minhas pernas tremeram e, quase desmaiando, sentei e chorei como uma criança.” Também li o próprio Platão  reclamando, e muito, de seu “Platinho”: “Desobediente e teimoso, como uma criatura deficiente de razão.” Casos, histórias e livros muito engraçados. Descobri que John Ruskin, um grande pensador da Era Vitoriana, ao ver os vastos pelos pubianos de sua mulher na noite de núpcias em Veneza, brochou e fugiu desesperadamente, se recusando a consumar o casamento. Isso tinha acontecido comigo também! Eu não estava só!

Parte da pesquisa mostra como a maneira dos sábios e cientistas enfrentavam a questão da impotência. Ainda num tempo em que a pílula azul estava muito distante dos sonhos humanos, havia muitas receitas e os chamados ‘elixires antibrochantes’. Acabei criando um Kit Antibrochante para ajudar na publicidade do meu livro! Abaixo compartilho esse segredo e espero ajudá-los! Boa sorte (eu tenho vários desses kits espalhados na minha casa!)

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Kit antibrochante (uso contínuo)

Hipócrates (460 a.C. — 370 a.C.) considerado uma das figuras mais importantes da história da saúde, chamado “pai da medicina”, dizia que: “Legumes, cereais e nozes continham ar e calor necessários para ‘erguer’ a paixão.” Também recomendava o uso de “Cantárida [feito do corpo triturado de besouro] para evitar a brochada”.

O maior catálogo de antibrochantes foi escrito por Plínio, o Velho. Caio Plínio Segundo (23 — 79) recomendava: “Usar no pescoço o molar direito de um crocodilo para garantir a ereção nos homens.” Também indicava o consumo de “alho-poró, coentro fresco, aspargos para excitar o desejo sexual”.

Marco Valério Marcial (40 —102), poeta latino, escreveu em seus Epigramas: “Se o teu desejo diminui e afrouxa o ‘nó nupcial’/ tua comida será cebolinha/ teu banquete será de chalota.”

Pedânio Dioscórides (40 — 90) autor greco-romano, considerado o fundador da farmacognosia através da sua obra De materia medica, fonte preciosa de informação sobre drogas medicinais desde o século I até o século XVIII, indica: “Orquídeas mergulhadas em queijo de cabra se fores deitar com uma mulher e acaso precisares de coragem extra.”

Paulo de Égina (625 — 690) médico grego bizantino, conhecido por ter escrito o Compêndio médico em sete livros sugeria: “Moluscos, nabo, ervilha, anis, açafrão, mel, grão de bico e vinho contra o mal da impotência.”

Durante o século XIX, os médicos recomendavam: “Evitar café, chá, conhaque e tabaco e se fartar de arroz, milho, pão, aveia, frutas, pois a impotência sexual também significa impotência em tudo: mental, física, social, literária, etc.

Marie Charlotte Carmichael Stopes (1880 — 1958) escritora britânica, paleontologista, eugenista, ativista pelos direitos das mulheres e pioneira no campo de controle de natalidade, sugeria: “O uso de uma solução de Listerine e alume para evitar a ‘semi-impotência’ masculina.”